PRP (Plasma Rico em Plaquetas): o que é, como funciona e para quem é indicado

Nos últimos anos, o PRP (Plasma Rico em Plaquetas) tem ganhado destaque na medicina regenerativa, especialmente no tratamento de algumas condições musculoesqueléticas. O procedimento busca estimular os mecanismos naturais de reparo do próprio organismo.
Em julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou o uso do PRP em condições osteomusculares específicas. Neste artigo, explico o que é o PRP, como ele funciona e em quais situações pode ser indicado de acordo com a nova regra.
O que é PRP (Plasma Rico em Plaquetas)
O PRP (plasma rico em plaquetas) é um concentrado obtido a partir do sangue do próprio paciente.
No sangue existem diversos componentes importantes, como hemácias, leucócitos e plaquetas. As plaquetas, além de participarem da coagulação, liberam substâncias chamadas fatores de crescimento, que atuam no processo de reparo e regeneração dos tecidos.
O objetivo do PRP é concentrar essas plaquetas e aplicá-las diretamente na região lesionada, buscando estimular o processo natural de cicatrização do organismo.
Por ser preparado com o próprio sangue do paciente, o PRP é um procedimento autólogo, com baixo risco de rejeição. Ainda assim, é um procedimento invasivo, e seus riscos precisam ser explicados antes da aplicação.
Como o PRP funciona
O processo do PRP geralmente ocorre em algumas etapas:
- Coleta de sangue - Uma pequena quantidade de sangue é retirada do paciente, de forma semelhante a um exame laboratorial.
- Processamento em centrífuga - Esse sangue passa por um processo de centrifugação que separa os diferentes componentes sanguíneos.
- Concentração das plaquetas - Após a centrifugação, obtém-se uma porção do plasma com maior concentração de plaquetas.
- Aplicação na área afetada - O material é então aplicado diretamente no local da lesão, com técnica asséptica.
Todas as etapas seguem as normas sanitárias da Anvisa. A indicação, a aplicação e o acompanhamento são atos exclusivamente médicos.
O que diz o Conselho Federal de Medicina
A Resolução CFM nº 2.464/2026 substituiu a regra anterior, que considerava o PRP experimental na ortopedia, e autorizou o uso da técnica em quatro situações:
- Osteoartrite (artrose) de joelho
- Discopatia lombar
- Epicondilite lateral do cotovelo, o chamado cotovelo de tenista
- Reparo meniscal
Em todas elas, o PRP tem caráter complementar: ele não substitui a fisioterapia, a reabilitação, outros procedimentos ou uma cirurgia que esteja indicada. Nos casos de coluna, a aplicação deve ser feita em ambiente hospitalar ou hospital-dia, guiada por exame de imagem.
Para quem o PRP pode fazer sentido
Dentro dessas indicações, o PRP pode ser considerado para pacientes que:
- têm uma das condições autorizadas, com diagnóstico confirmado
- não tiveram melhora adequada com o tratamento conservador
- não apresentam contraindicações para o procedimento
Os resultados variam entre pacientes, e nenhum tratamento com PRP garante cura ou regeneração do tecido.
Quando o PRP não é indicado
O PRP não deve ser usado, por exemplo:
- quando há uma lesão que exige correção cirúrgica
- quando o diagnóstico ainda não está definido
- na presença de infecção ativa no local, câncer em atividade ou alterações relevantes das plaquetas e da coagulação
- em condições fora das indicações regulamentadas pelo CFM
Riscos e consentimento
Como todo procedimento invasivo, o PRP pode causar dor e inchaço no local, sangramento, hematoma, infecção, piora transitória dos sintomas e, raramente, lesão de estruturas próximas. Também pode não trazer o resultado esperado e exigir outros tratamentos.
Antes da aplicação, o paciente recebe as informações sobre benefícios esperados, limitações, riscos e alternativas, e assina um termo de consentimento específico.
O PRP substitui outros tratamentos?
Não. O PRP não é um tratamento milagroso nem substitui as outras abordagens terapêuticas.
Dependendo do caso, ele pode fazer parte de uma estratégia de tratamento que inclui:
- fisioterapia
- reabilitação
- medicações
- mudanças de atividade
- ou, em alguns casos, cirurgia
Cada situação exige um plano terapêutico individualizado.
Avaliação médica é fundamental
Se você apresenta dor persistente no joelho, no cotovelo ou na coluna, a primeira etapa é sempre buscar uma avaliação especializada.
Somente após o diagnóstico é possível definir se o PRP pode ou não ser uma opção dentro do seu tratamento.
Um plano terapêutico bem indicado é essencial para recuperar a função, reduzir a dor e permitir um retorno seguro às atividades do dia a dia. Agende sua avaliação.
Artigo atualizado em outubro de 2026, conforme a Resolução CFM nº 2.464/2026.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou o tratamento individualizado.


